GINCANA ANTIRRACISTA

Este acervo e repositório das gincanas escolares da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Presidente José Sarney tem como objetivo organizar, sistematizar, preservar e disseminar produções de saberes escolares antirracistas, articulando práticas pedagógicas comprometidas com a equidade racial e com a implementação das Leis 10.639/2003 e 11.645/2008.
O espaço reúne arquivos das gincanas realizadas entre os anos de 2022 e 2025, além de atividades desenvolvidas em sala de aula, projetos pedagógicos e ações antirracistas construídas ao longo do ano letivo. A proposta busca valorizar experiências educativas que promovam a consciência histórica, a representatividade e o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar.
O repositório também contará com produções de estudantes, docentes e intelectuais negros, fortalecendo a circulação de conhecimentos, memórias e narrativas comprometidas com uma educação antirracista, democrática e socialmente referenciada.
Trata-se de um acervo vivo, em permanente construção, que continuará sendo alimentado ao longo dos próximos anos com novas produções, registros, pesquisas, experiências pedagógicas e memórias escolares, ampliando o patrimônio educativo e cultural produzido pela comunidade escolar.
Murais

A construção de murais antirracistas na EEMTI Presidente José Sarney teve início em 2022, como parte das atividades coletivas da gincana escolar. Na ocasião, cada turma participante deveria indicar pelo menos um integrante para colaborar na produção artística dos murais, fortalecendo o trabalho em equipe e o compromisso coletivo com a educação antirracista.
Os primeiros murais, produzidos naquele ano, permanecem atualmente na quadra da escola e retratam as temáticas “Mulher Negra” e “Mulher Indígena”, valorizando a identidade, a resistência e o protagonismo dessas mulheres na sociedade brasileira.
Ao longo das edições da gincana de 2023, 2024 e 2025, novos murais foram desenvolvidos com o objetivo de homenagear mulheres negras que fizeram e fazem parte da história dos movimentos negros e indígenas no Ceará e no Brasil. Entre os murais mais recentes, destacam-se as homenagens a Lúcia Simão e Raimunda Tapeba, importantes lideranças atuantes nos movimentos negro e indígena do Ceará. A homenagem a Lúcia Simão também representa um reconhecimento de sua trajetória de luta e contribuição social após seu falecimento, ocorrido em 2025.
As produções artísticas buscam promover representatividade para os alunos e alunas da escola, além de fortalecer a memória, a valorização cultural e o reconhecimento das trajetórias de luta e resistência desses povos. Mais do que expressões artísticas, os murais constituem-se como espaços educativos permanentes, contribuindo para o fortalecimento das Leis 10.639/03 e 11.645/08 e para a construção de uma cultura escolar pautada no respeito à diversidade étnico-racial.
Oficinas

As oficinas desenvolvidas durante a gincana antirracista de 2025 constituíram importantes espaços de aprendizagem, troca de saberes e valorização das culturas negras e indígenas no ambiente escolar. Promovidas pelos alunos em parceria com a comunidade, as atividades aconteceram nas salas de aula, envolvendo diferentes turmas em experiências formativas, culturais e educativas relacionadas ao Dia da Consciência Negra.
Entre as oficinas realizadas, destacaram-se as de grafismo indígena, confecção de pulseiras, colares e brincos, máscaras africanas, gastronomia ancestral, capoeira e debates sobre racismo recreativo. As ações possibilitaram aos estudantes o contato com conhecimentos históricos, culturais e artísticos ligados às matrizes africanas e indígenas, fortalecendo o respeito à diversidade étnico-racial e a valorização das identidades culturais.
A atividade contou ainda com a participação de Joana Tapeba e do coletivo Aldeia Hip Hop, que contribuíram como palestrantes e mediadores das discussões, compartilhando experiências, saberes e reflexões sobre identidade, cultura, resistência e protagonismo dos povos negros e indígenas no Ceará.
Após as oficinas, os alunos produziram cartazes e materiais expositivos com registros dos conhecimentos construídos durante as atividades, socializando aprendizagens, reflexões e percepções desenvolvidas ao longo do processo formativo. Essas produções contribuíram para fortalecer o protagonismo estudantil e ampliar o diálogo sobre educação antirracista dentro da escola.
Salas Temáticas

As salas temáticas desenvolvidas durante a gincana antirracista de 2025 constituíram espaços de exposição, pesquisa e construção de narrativas históricas produzidas pelos próprios alunos e alunas. Organizadas de forma coletiva, as salas buscaram evidenciar histórias, memórias e sujeitos que, durante muito tempo, foram apagados ou silenciados nos espaços escolares e na historiografia tradicional.
Nas exposições apresentadas, os estudantes construíram narrativas voltadas aos povos indígenas, valorizando sua história, cultura, formas de resistência e contribuição para a formação da sociedade cearense e brasileira. As salas também destacaram a importância da inclusão e do reconhecimento dos povos originários como sujeitos históricos fundamentais para a construção da identidade local.
Entre os espaços criados, destacou-se a Sala de Saberes Ancestrais, voltada à valorização dos conhecimentos tradicionais relacionados à medicina ancestral dos povos indígenas e negros. A proposta permitiu aos estudantes conhecer práticas culturais, ervas medicinais, formas de cuidado e saberes transmitidos entre gerações, reforçando a importância da preservação dessas memórias e conhecimentos.
As pesquisas realizadas pelos alunos também evidenciaram a necessidade de compreender Caucaia não apenas como território marcado pela presença indígena, mas também pela resistência e permanência das comunidades quilombolas na região. Nesse contexto, os estudantes apresentaram estudos sobre o Quilombo dos Dicetas, promovendo reflexões sobre a história, a luta e a resistência das populações quilombolas em Caucaia.
A gincana antirracista de 2025 possibilitou, assim, debates sobre pertencimento, memória e identidade, incentivando os alunos a refletirem sobre a permanência histórica dessas populações e sobre as narrativas que elas ainda têm a contar para a sociedade contemporânea.
PESQUISA DE CAMPO – Comunidade Quilombola Cercadão dos Dicetas

A pesquisa de campo realizada na Comunidade Quilombola Cercadão dos Dicetas integrou as atividades da gincana antirracista de 2025, proporcionando aos alunos uma experiência de aprendizagem para além da sala de aula. A atividade teve como objetivo evidenciar a presença e a resistência das comunidades quilombolas em Caucaia, aproximando os estudantes das histórias, memórias e vivências da população quilombola da região.
Durante a visita, os alunos puderam escutar relatos, dialogar e construir narrativas junto à senhora Maria dos Prazeres, liderança da comunidade quilombola, que compartilhou experiências sobre a trajetória histórica do quilombo, as formas de resistência cultural e os desafios enfrentados na atualidade.
As pesquisas realizadas pelos estudantes também abordaram a história da comunidade Cercadão dos Dicetas, formada por famílias quilombolas que preservam tradições, memórias e formas de organização coletiva ao longo das gerações. A comunidade teve seu reconhecimento oficial como remanescente de quilombo concedido pela Fundação Cultural Palmares por meio da Portaria nº 64/2012, vinculada ao Processo nº 01420.013928/2011-37, importante conquista para a valorização da identidade quilombola e para a garantia de direitos territoriais e culturais.
A atividade possibilitou aos estudantes compreenderem as dificuldades vivenciadas pelas comunidades quilombolas, incluindo questões relacionadas ao reconhecimento territorial, à preservação cultural, ao acesso a direitos e às lutas sociais ainda presentes no cotidiano dessas populações.
Mais do que uma atividade de pesquisa, a experiência contribuiu para fortalecer a consciência histórica e o reconhecimento das comunidades quilombolas como parte fundamental da memória, da cultura e da identidade de Caucaia e do Ceará.
Apresentações Culturais

As apresentações culturais de dança, teatro, música e desfiles estão presentes na gincana antirracista da EEMTI Presidente José Sarney desde 2022, constituindo-se como importantes espaços de valorização da identidade, da cultura e do protagonismo estudantil. As atividades foram desenvolvidas com o objetivo de fortalecer a representatividade de alunos e alunas negras, promovendo o respeito à diversidade étnico-racial no ambiente escolar.
As apresentações também contribuem para o combate ao racismo e às diferentes formas de discriminação vivenciadas por estudantes em razão de suas características fenotípicas, como cor da pele, traços físicos e cabelos. Por meio da arte e da expressão cultural, os alunos encontram espaços de reconhecimento, pertencimento e valorização de suas identidades.
Os desfiles e performances culturais possibilitam a visibilização de alunos e alunas negras, fortalecendo a autoestima e incentivando novas formas de se perceber, de se representar e de vivenciar a escola e a própria gincana. Nesse processo, elementos como os cabelos, a estética negra, as vestimentas e as expressões culturais tornam-se símbolos de afirmação identitária, resistência e orgulho de suas origens.
Mais do que momentos de apresentação artística, essas atividades constituem práticas educativas voltadas à construção de uma cultura escolar antirracista, inclusiva e comprometida com a valorização das histórias e identidades negras e indígenas.
Curta-Metragem

Os curtas-metragens produzidos pelos estudantes nas gincanas escolares constituem importantes instrumentos pedagógicos de expressão, reflexão e construção da consciência crítica. Em 2024, ao abordarem o tema do combate ao racismo, os alunos transformaram experiências, debates e vivências em narrativas audiovisuais capazes de denunciar discriminações, valorizar identidades negras e promover o protagonismo juvenil na luta antirracista. Por meio da linguagem cinematográfica, os estudantes ampliaram suas formas de comunicar sentimentos, memórias e posicionamentos sociais, fortalecendo a educação das relações étnico-raciais no espaço escolar.
Já os curtas de 2025, centrados nas percepções e sentimentos dos alunos sobre o fazer da gincana, revelam a dimensão afetiva, coletiva e formativa dessa experiência educativa. As produções evidenciam como a participação na gincana contribui para o desenvolvimento da autoestima, do pertencimento, da criatividade e das relações de solidariedade entre os estudantes. Além disso, os registros audiovisuais preservam memórias escolares e permitem compreender a gincana como um patrimônio educativo vivo, marcado pela participação estudantil e pela construção de práticas pedagógicas antirracistas.
Diários de bordo

Os diários de bordo disponíveis neste acervo correspondem aos anos de 2024 e 2025. Os registros das edições anteriores da gincana não foram preservados devido à ausência, naquele período, de um processo sistemático de organização e controle dos arquivos produzidos pela escola.
A partir de 2024, compreendeu-se a importância da preservação documental e da construção de uma memória escolar antirracista, levando à criação de estratégias de arquivamento, sistematização e conservação dos materiais produzidos durante as gincanas e demais ações pedagógicas.
Dessa forma, os diários de bordo de 2024 e 2025 representam não apenas registros das atividades desenvolvidas, mas também o início da construção de um acervo vivo, comprometido com a valorização das experiências estudantis, da memória escolar e das práticas educativas antirracistas.
Editais das Gincanas

Os editais e tarefas das gincanas escolares possuem importante papel pedagógico no Ensino de História e na construção da cultura escolar, pois organizam experiências educativas que estimulam a participação ativa dos estudantes na produção do conhecimento. Mais do que instrumentos administrativos, os editais orientam pesquisas, práticas culturais, produções artísticas e reflexões críticas que aproximam os alunos de debates sobre memória, identidade, cidadania e relações étnico-raciais.
No contexto das gincanas antirracistas, as tarefas mobilizam os estudantes para além da sala de aula, incentivando investigações históricas, produções audiovisuais, apresentações culturais, murais, entrevistas e atividades que valorizam narrativas negras e saberes historicamente invisibilizados. Dessa forma, o Ensino de História passa a dialogar com as vivências juvenis e com a realidade social dos alunos, fortalecendo a consciência histórica e o pertencimento escolar.
Leituras Antirracistas

As leituras antirracistas possuem papel fundamental na construção de uma educação crítica, democrática e comprometida com a valorização das identidades negras e indígenas. Por meio da literatura, da pesquisa histórica e das produções acadêmicas, estudantes e docentes ampliam reflexões sobre racismo, memória, representatividade, cultura e resistência, fortalecendo práticas pedagógicas alinhadas às Leis 10.639/2003 e 11.645/2008.
Produções Antirracistas em Sala

As produções realizadas por alunos e professores representam importantes registros da memória escolar e das experiências construídas no cotidiano da escola. Textos, cordéis, murais, fotografias, vídeos, diários de bordo, pesquisas e atividades pedagógicas revelam trajetórias, aprendizagens e formas de participação estudantil, evidenciando a escola como espaço de produção de conhecimento, cultura e protagonismo juvenil. Preservar esses materiais significa valorizar as vozes dos estudantes e reconhecer suas produções como parte fundamental da identidade e da história da comunidade escolar.
Além de fortalecer o sentimento de pertencimento, o arquivamento dessas produções contribui para a sistematização das práticas pedagógicas e para a continuidade de projetos educativos ao longo dos anos. No contexto da educação antirracista, esses registros possuem papel ainda mais significativo, pois garantem a visibilidade de narrativas negras e indígenas, preservam memórias de resistência e ampliam a construção de práticas comprometidas com a diversidade, a representatividade e a justiça social.
